La Lamina Corredora

danger: helvetica

Archeology

leave a comment »

Setembro de 2001

Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, por maclaine

200px-star_wars_phantom_menace_poster.jpgA capital do Império Galático era o ponto central de As Guerras Estelares: Das Aventuras de Luke Starkiller, um roteiro escrito em 1975 pelo diretor de Loucuras de Verão, George Lucas. Enquanto o jovem cineasta corria em busca de financiamento, o artista Ralph McQuarrie trabalhava como louco pintando as diversas locações, personagens e batalhas da saga espacial. Vendo imagens espetaculares como a mostrada ao lado ficava difícil convencer algum estúdio a bancar o projeto.

A necessidade de viabilizar o filme forçaram o jovem diretor a quebrar o roteiro do filme em diversos pedaços, e a cidade acabou ficando de fora de Guerra nas Estrelas e suas duas sequências. Contudo, ao ver as pinturas de Ralph McQuarrie ficava impossível não imaginar como seriam as cenas de locações perdidas da saga. Não apenas na cidade que cobria um planeta inteiro, mas também no planeta destruído de Alderaan e no misterioso mundo vulcânico que decide o destino do personagem principal da história.

Em 1997, já um poderoso magnata, George Lucas resolveu terminar o que havia começado, filmando os três episódios iniciais de sua história espacial. Dessa vez, as dificuldades financeiras não existiam, e a cidade imperial pôde finalmente ser mostrada. O resultado é sem dúvida alguma a melhor experiência visual da história do cinema. Mas Guerra nas Estrelas costumava ser mais do que isso, e Episódio I: A Ameaça Fantasma, foi dizimado tanto pela crítica especializada como por grande parte dos fãs. Eles não viram no filme mais do que um comercial de brinquedos de duas horas e quinze minutos. Meu único propósito aqui é mostrar que isso não é verdade.

A grande maioria das críticas feitas ao filme poderiam ser aplicadas a qualquer filme da saga. A idéia central é: “O filme não lembra os três primeiros, é infantil e não tem história.” Eu digo que Episódio I tem uma história justamente por não ser um simples filme infantil. É preciso entender que o filme não trata-se de uma refilmagem, e sim de algo novo, e que se passa antes dos eventos dos primeiros filmes. A batalha entre bem e mal nem sequer existe, pois não é possível saber ao certo quem é quem. Como aprovar as atitudes de um aprendiz racista como Obi-Wan Kenobi, de um Conselho Jedi formado por criaturas resmungentas ou de um mestre que recusa auxílio aos oprimidos? Como deixar de concordar com um senador que percebe a fragilidade e a inutilidade de uma instituição arcaica e corrupta, cada vez mais dominada por burocratas?

Uma das críticas – para mim a mais estranha, de longe – diz respeito a destruição de uma entidade mística da trilogia clássica conhecida como A Força, base dos estudos dos Mestres Jedi. No primeiro episódio, ficamos sabendo como ela realmente funciona. E ainda aprendemos que os Jedi não são apenas uma religião, mas um grupo de estudos com preocupações sociais. Isso faz parte da história como George Lucas a concebeu, e não entendo como tal revelação possa atiçar o ódio ao filme (a não ser que tal pessoa acredite religiosamente na Força, mas nesse caso o problema seria de outra natureza).

O fato do filme não funcionar como uma introdução à saga também incomoda muitas pessoas. De certa forma isso é verdade, mas o filme tem tão pouca relação com o universo clássico, que deixar a introdução para Uma Nova Esperança é uma saída não-convencional que parece muito mais interessante. E mesmo assim, Episódio I não deixa de ser uma introdução. Somos apresentados a todas as peças, mas nenhuma pode se movimentar ainda. Há apenas uma exceção: A Ameaça Fantasma, que começa o filme como um representante medíocre de um planeta exterior. Com a ajuda de uma federação comercial, e sem levantar suspeitas, acaba tornando-se presidente da República.

Nem John Williams escapou da metralhadora de críticas. Dizem que em sua trilha sonora faltaram os grandes momentos, os temas facilmente reconhecíveis, que caracterizaram a trilogia original. O que escapa nesses comentários é um desconhecimento das intenções do compositor. Guerra nas Estrelas sempre foi para Williams uma tentativa de recriar O Anel dos Nibelungos, o ciclo mitológico do compositor alemão Richard Wagner. Da mesma forma que O Retorno de Jedi tem ecos de Crepúsculo dos Deuses, com a repetição saudosa dos temas da saga culminando em um final apocalíptico, A Ameaça Fantasma deve imitar O Ouro do Reno, que introduz a situação e cria o mistério, sem ainda desenvolvê-lo.

John Williams foi fiel a sua visão original, e George Lucas também. O resultado são cenas como a mostrada ao lado, que não é uma pintura e sim um dos quadros finais de Episódio I. A experiência visual continua a mesma, mas o desenvolvimento da história continua, e assim como o “I am your father” mudou a forma de encarar o Episódio IV, A Ameaça Fantasma deve ser visto também como uma nova forma de encarar a trilogia original.

Outubro de 2001

Tubarão, por Norman

220px-jaws_a.jpgTubarão é um dos melhores filmes de suspense já feito. Costumo chamá-lo de “Psicose Marinha”, em analogia ao clássico Psicose de Alfred Hitchcock. Não é à toa que vários cinéfilos ao redor do mundo coloquem o filme entre os 10 melhores de todos os tempos.

A história das filmagens é complicada, mas já bem conhecida pelos fãs do diretor. Spielberg mergulhou na produção de Tubarão com várias dúvidas, não só encucadas nele, mas como em todos da equipe da Universal. Um diretor ainda desconhecido, jovem, sem formação alguma em universidades cinematográficas são alguns dos motivos principais do temor geral no set. Porém, depois de superpassar enormes dificuldades – uma verdadeira luta contra a natureza, o diretor provou que nasceu com o dom de transformar coisas simples em espetáculos fantásticos. Tubarão tornou-se o primeiro “arrasa-quarteirão” da história do cinema e permanece até hoje como um dos filmes mais rentáveis de Hollywood.

A pergunta que fica é “por quê?”, qual é o segredo do filme para ter levado multidões ao cinema em uma época em que Hollywood estava prestes a decretar falência? Pois aqui entra o chamado “toque mágico de Steven Spielberg”.

O roteiro era um absurdo para época. Era inimaginável filmar um filme em condições tão instáveis quanto as de alto mar. Spielberg sabia disso, mas “mergulhou” de cabeça no projeto. Com a intenção de driblar os grandes problemas que o mar trazia ao tubarão mecânico, o diretor se inspirou no mestre Alfred Hitchcock e, numa sacada genial, simplesmente escondeu da platéia até a última hora o protagonista do filme. Usou barris e uma barbatana de borracha para identificar o monstro até o grande momento da revelação. Maluquice? Parecia. Mas a idéia deu tão certo que os melhores momentos do filme são justamente aqueles onde o monstro marinho não aparece. Quem vai esquecer a clássica primeira cena do filme? O terror estava oculto ali.

Assim como Spielberg, todos concordam que 50% do filme são o tubarão, os outros 50% são John Williams. Não há como esquecer do clássico tema do filme. Várias pessoas até hoje sussurram em todo lugar a seqüência de suspense crescente do maestro Williams. Spielberg no início riu ao ouvir no piano a estranha melodia que o músico criara, mas na segunda vez em que ouviu e pensou ao mesmo tempo no filme, pronto, estava ali outro grande trunfo da produção.

Tubarão é a continuação de Encurralado só que debaixo d’água. Spielberg sempre diz isso e a cena final só confirma. Alguém lembra da fantástica cena final de Encurralado quando o caminhão despenca do penhasco com efeitos sonoros de um monstro? Notem o final de Tubarão . Quando o animal é explodido pelo Chefe Brody, os restos mortais afundam com o mesmíssimo som de um grande monstro ao fundo. É uma jogada fantástica. Toque do Spielberg, que muitos não notam, mas que no subconsciente fazem a festa.

Tubarão para mim não tem defeitos, é perfeito. Ainda mais para uma produção de 1975. A voracidade do filme deita sobre sua genial frase: “É como se Deus tivesse dado mandíbulas ao diabo.” Um clássico do suspense sem igual.

Harry Potter e a Pedra Filosofal, por Joe (idade mental: 14)

200px-200px-harrypotterandthephilosophersstonemovieposter.jpgJá devem ter notado que toda história infantil é recheada de clichês, do começo ao fim. Sem exceção. Harry Potter segue o estereótipo dos pequenos heróis reprimidos (onde até Esqueceram de Mim ecoa), e por obra do destino, algo acontece e este finalmente sai em busca de um objetivo maior. No caso de Harry, ser treinado para ser um bruxo, como seu pai antes dele. Era seu destino, assim como o de Luke Skywalker. É o truque mais velho do mundo.

Personagens e idéias são retiradas direto de O Senhor dos Anéis, como o Prof. Dumbledore (Gandalf), o vilão Voldemort (Sauron, um vilão enfraquecido, que ninguém ousa dizer o seu nome) e o “Anel” (a Pedra Filosofal, o único modo do vilão voltar à ativa, que se encontra no poder dos mocinhos). Durante o filme pode-se notar inúmeras outras cópias, como o espelho mágico de História Sem Fim, o manto invisível de Caverna do Dragão, etc. Pra falar a verdade, há muito pouco de original em Harry Potter.

Colocar a direção na mão de Chris Columbus é jogar o potencial do filme na boeira, mas depois de conseguir milhões de dólares com Esqueceram de Mim, também é dinheiro na certa. A trilha sonora de John Williams, no caso, foi totalmente inexpressiva (ainda bem que ele sabe em quais projetos deve investir mais), no melhor estilo Esqueceram de Mim. Mesmo que você diga a você mesmo que foi assistir o filme pelo John Cleese, seu personagem é um fantasma maluco que aparece durante 10 segundos e depois, nunca mais. Warwick Davis está irreconhecível, então não passa de um anão qualquer. John Hurt traz a melhor atuação do filme como um vendedor de varinhas. Richard Harris, que geralmente é um bom ator, se mostra inexpressivo como Prof. Dumbledore. Mas também, com aqueles discursos patéticos, quem é que não se desanimaria?

Temos que aguentar uma partida de “quadribol” (um jogo excessivamente idiota), que tem o mesmo propósito e é idêntica ao baseball de Hook – A Volta do Capitão Gancho. É quando os efeitos especiais parecem menos forçados (e ainda assim malfeitos) , pois no resto temos que aturar um troll pior do que o Shrek e um centauro que parece saído de um jogo de Playstation (ainda bem que eles fizeram a cena bem escura, senão ia ser bem pior). Pelo menos a cena da floresta tem uma clássica frase trash (veja a figura).

O confronto final é confuso e sem sentido, mas Harry leva a melhor (inexplicavelmente), e o Prof. Dumbledore tenta lhe explicar, depois de tudo resolvido, num discurso que é simplesmente de chorar. Algo digno de filmes como Corrente do Bem, e impressionante como não conseguiram embromar uma coisa mais convincente. Aparentemente, Harry venceu o maluco de turbante (oops, contei) porque a “sua mãe havia se sacrificado por ele (hã?). E isso deixa uma marca. Não, esse tipo de marca não pode ser visto. Fica debaixo da pele. Se chama amor…” Bláááá!!!!

Novas histórias de fantasia como Star Wars trazem conceitos tão velhos quanto o mundo, mas de um modo novo e interessante. Harry Potter, de certa forma prometia isso mas não cumpriu, resultando apenas de uma reciclagem de clichês sem nada que transcendesse. Ainda assim é um grande acontecimento: Harry Potter trouxe a leitura para uma nova geração, e isso é inestimável, por mais idiota que seja o conteúdo. Isto é, desde que sigam o caminho certo: passando a ler Tolkien e C. S. Lewis (As Crônicas de Narnia), ou seja, coisas que prestem. Outras, nem tanto: ficaram só com Harry Potter. Aí, de que adianta? No caso, eu assisti sem ter lido o livro e agora que eu não vou ler mesmo. Mas com certeza verei o próximo filme.

Novembro 2002

Harry Potter e a Câmara Secreta, por Joe

200px-harry_potter_and_the_chamber_of_secrets_movie.jpgEsperava-se que o segundo filme da franquia Harry Potter conseguisse ser um pouco mais adulto do que o primeiro. Harry Potter and the Sorcerer’s Stone era uma amálgama sem fim de clichês e fórmulas antigas de sucesso, colocadas num pacote bonitinho pela autora J.K. Rowling (notem o J.K. em contraponto aos famosos J.R.R. e C.S.). O fenômeno Harry Potter pode ter trazido algumas horas de leitura para uma nova geração, mas trouxe mais é grana pro bolso de Rowling, sendo que poucas das crianças realmente buscam ler qualquer outra coisa senão Harry Potter.

Espera-se que Harry Potter e a Câmara Secreta não precise de gastar tempo introduzindo personagens e investir numa trama mais complexa e inteligente; ou que os efeitos especiais tenham melhorado desde o primeiro filme; ou, querendo um pouco demais, que Chris Columbus tenha aprendido a dirigir um filme decentemente. Mas não…

O maior problema desses filmes é que tudo que acontece, todos os personagens e lugares, tem alguma coisa a ver com a trama. Nunca nada é adicionado para dar “simples” texturas ou cores ao mundo de Harry Potter e seus personagens. Pode ter certeza que tudo que é mencionado ou aparece em algum ponto do filme, vai voltar a aparecer no final. Exceto, é claro, o personagem de Kenneth Branagh, Gilderoy Lockhart. Sua atuação é tão deliciosamente exagerada que é o personagem mais carismático do filme, e incidentalmente, a única coisa que se salva.

Pois afinal durante a maior parte do filme temos que aguentar um “elfo” que mais parece um “duente” chamado Dobby. Além de ser a criatura mais irritante a jamais aparecer num filme em tempos recentes (mais do que o Jar Jar Binks!), os efeitos especiais empregados nele são do nível dos usados nas cenas deletadas do DVD do Episódio II! Pra terminar: o vilão do filme é uma LEMBRANÇA do vilão do primeiro filme, que mal existia…

Written by Joe

julho 20, 2007 às 7:44 pm

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: